Faro, 18 de Junho 2008
Há uns anos atrás fui convidado para ir à Berlenga sub custódia do tio Té e tia Carmo passar uns dias, uma vez que estava de férias de Verão. Já lá tinha ido e conhecia os cantos à casa, mas desta vez foi muito mais importante! Sem programas pré-definidos, o nosso Almirante mandava-me ir buscar o almoço/jantar ao mar com um pequeno coco (a "marina", creio), anzol e uma ou duas sardinhas como isco. Manhãs e tardes à espera que o peixe mordesse, mas o saldo final era sempre positivo, acabando por passar maior parte desses dias a pescar e a divertir-me com os vizinhos e filhos de pescadores que na ilha passavam temporadas. Sempre em ordem, a casa dos tios na Berlenga, a casa da tia Miusca na Serra e o "Vadio", são para mim locais de descontração e aprendizagem, onde a calma, serenidade e amor pelo mar me foi transmitido por osmose.
Agora sou quase Biólogo Marinho e devo dar graças a referências como o tio Té e meu avô Si que sempre foram para mim como tutores do amor pelo mar e pelo conhecimento, respectivamente. Sendo primos afastados, devem estar neste momento a trocar ideias sobre os mesmos bichos que os raptaram deste mundo onde deixaram marca, para um outro lugar novo. Fico contente por ter tido a oportunidade de ter conhecido génios, que nunca morrem, já dizia Fernando Lopes Graça, mas muita coisa ficou para trás.
Para sempre ficará na memória este ilustre Almirante
Abraço, Sidónio Paes (júnior) |
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Sidónio Paes : "Uma história, um destino"
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Berlenga 1952: Carta de Tio Té a Meu Pai João José Malato
felicidade e satisfação fazem um estado de espírito, uma forma activa de
estar. Talvez uma dimensão onde cabe a peripécia a dedicação e o desafio
vencido. Provavelmente onde agora navegam os amigos.
Tiago Malato
" Berlenga 22.7.52
Caro João José
Conseguimos chegar ao fim, depois de uma viagem demorada e com peripécias
várias.
Saímos de cascais no sábado à tarde, às 17.00 ou por volta disso, e
chegámos a Peniche às 07 03 de Segunda.
Perdemos duas noites no mar, ou aliás, eu só perdi uma, porque me deitei
cedo na noite de sábado (como é possível que já te tenha dito, eu enjoo
no primeiro dia de mar) e a malta não me acordou para fazer quartos; de
resto na 1ª noite parece-me que não houve quartos; Cada qual fez leme
até se chatear.
Na 2ª noite levantei-me às 02 00 e não me deitei mais, porque estava
nevoeiro e nós não sabíamos onde nos encotrávamos; estávamos a fazer um
bordo para terra e o homem do leme com a luz da bitácula ficava
encadeado e não conseguia ver bem. Estávamos à espera da luz dos faróis
da Berlenga e do Carvoeiro, mas nunca vimos nada, pela razão simples de
que o nevoeiro era tanto junto de terra que nós estando a ver o cabo,
não víamos a luz do farol!
Chegámos à Berlenga às 15 00 tendo largado de Peniche às 10 00; sempre é
um pouco mais que a motor, por causa do vento ser ponteiro; daqui para
Lisboa, por exemplo a menos que o vento vire para SW, não devemos demorar
mais que 8 horas (a cascais).
O barco está fundeado na Flandres e o João Maria enquanto não tiver
convidados, come connosco. O Manuel Baptista gostou tanto disto que ainda
cá está, e o M.* e o Francisco foram-se embora a contra gosto; da Miuska
já nem falo. O iate é trabalhoso, e é preciso malta para trabalhar nele;
tens que te atirar às lides marítimas, pois caso contrário comprámos um
iate e temos que o ter amarrado. Não digo só tu; o Roger também tem que
ir, e o teu irmão parece-me que também se interessa por estas coisas.
A Miuska e a Gea vão tirar a carta de patrão de costa este ano; tu
disseste que ias e parece que o Naneo também vai; o Roger não perde nada
por ir, mas se não for não se perde grande coisa; no entanto era e é uma
escola razoável. Digo razoável e não digo boa porque segundo o dizer do
Braula ensinaram-lhe mais a parte de navegar do que a parte vélica; mas o
resto cá se arranjava.
Tenho uma proposta a fazer-te. No iate há 5 lugares; aqui na casa do cais
arranjam-se mais dois- total 7-. Porque não falas aí com o François e
vens cá no fim de semana? Neste fim de semana? Boa ideia? Falas com a
Miuska, pois pode ser que o Roger também venha e nesse caso com o carro
dele e a carrinha podem vir todos.
Dormida arranja-se, comida, (não posso convidar tanta gente). Trazem, e é
uma festa aqui. O Roger se calhar só poderá vir no Sábado à tarde, mas
vocês se pudessem vinham mais cedo. Arranja lá isso, que é uma coisa
formidável.
Recebe um abraço do amigo certo
Té "
*Difícil de ler. Não digo indecifrável . Marques?, Magessi? Tia…
aceitam-se sugestões…
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Luisa Lopes: "Família"
Patricia: "Vadio"
Uma das últimas vezes que falei com o Tio Té olhávamos o Sol batendo no Cristo Rei, forte como poucas vezes se tem visto nesta Primavera zangada, e quase em simultâneo nos veio à ideia a capa azul e o convés de madeira castigado e desprotegido.
Logo ali prometi ao meu Mais Querido Marinheiro, já cansado de tanto lutar contra o bicho mau, que assim que pudesse lá iria tratar do seu Vadio. Seria a minha homenagem aos dois.
Agora aqui fica a promessa escrita, selada e assinada.
A Ema ajudar-me-á a cumprir a promessa pois, também ela, carrega na Alma o mesmo amor pelos dois e no bolso uma lista ditada pelo eterno Comandante deste navio.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Marina N.Brito: "Histórias sobre o nosso almirante!"
que se segue e que guardei junto dos meus «papelinhos»:
«Ele»é aquela Pessoa que todos gostaríamos de ser.
Não lhe conheço defeitos
E se é minha intenção
Falar com o coração
Então
Só me compete dizer o que conheço do Té.
Pois é.
É amigo de verdade
E se todos prezamos o valor da Amizade
Queremos tê-lo sempre bem perto.
Palavra calma,sorriso aberto
É assim o Te´.
Dizer mal?Nunca ouvi.
Falar mal?Muito menos.
Mas não sei se por boa educação
Não rejeita uma piada de «pesada»intenção.
Ri,sorri,amarelo ou não.
É assim o Té.
Conhecemos-lhe mais que uma paixão
A Carmo,os Filhos,em primeiro lugar.
Depois...ah,depois
O Mar,essa imensidão!
Ah Berlengas,gaivotas,ondas a quebrar
E os Amigos desafiando o nevoeiro e a tempestade
Vão aí vê-lo em nome da Amizade.
Por causa do Té.
«Last but not least»
Resta o barco,a nau, o veleiro,o contratorpedeiro
O Té não desiste.(Todos sabemos do que estamos a falar)
E se a nós nos for permitido testemunhar
Veremos o Té de Almirante vestido
À`sua volta todos em sentido
E com voz afinada ouviremos cantar.
«Os Marinheiros ,aventureiros....»
Marina N.Brito