domingo, 18 de maio de 2008

Patrícia: "Por onde começar?"

Cada vez que me sento aqui a ler e reler estas histórias vêm-me à cabeça milhares de imagens hilariantes, pequenas histórias a que muitos de nós já tiveram o prazer de assistir e, tenho a certeza, guardam também outro milhar dentro de si.

Quem já não assistiu a uma daquelas cenas surreais em que o Almirante pelas 8 da manhã em plena Berlenga, pincel na mão, estrabuja que nem um possuído porque alguém se encostou a um canto refundido de uma qualquer parede inimaginável que o dito Senhor tinha acabado de pintar?! Tenha dó, são 8 da manhã! Deixe-me lá ir tomar o pequeno-almoço e já lhe dou atenção! Vá, cala-se, sente-se e beba o chazinho de limão que lhe preparei e as tostas bem tostadas que a Santa Senhora que o atura, sinceramente não sei como, acabou de tirar do forno! IRRA!!!

Ou quando saímos para um pacato passeio pelo rio e mal deitamos os nossos costados no convés do navio o homem espeta-nos com mil e uma tarefas inadiáveis, inimagináveis e infugíveis porque já vamos a meio rio! (camelo do homem é esperto, olha agora como é que eu me safo?!). Ora pinta aqui, ora pendura-te no mastro, ora tu que tens um belo corpinho ajuda aqui a carregar este saco de 10 toneladas de cabos velhos, manilhas ferrugentas e restos de silicone seca que nunca se sabe não precisaremos um dia! E põe e caça e carrega e esfrega e iça e arria… eu arriava-te era já uma paulada! Então não era só uma descidazinha Tejo abaixo? Eu até trouxe uns bolinhos e umas cerejas… Enfim…

Lembro-me aqui há 4 ou 5 anos (terá passado assim tanto tempo???), no Moinho! D. CarMãe Andrade e Silva, naqueles tempos mais conhecido por Senhora Mariazinha, coitada… tal não era a trabalheira, de joelhos no chão de pedra, esfregão verde e Sonasol, tentava fazer brilhar mais que o Sol um toldo de riscas (azuis?). Patricia eu própria e mesma, naqueles tempos mais conhecida por… seria Catripácia? Sob as ordens do malvado, depois de já ter varrido sete sacos de folhas, tentava cimentar uma coisa qualquer que no final deveria parecer-se com uma escada. Filha Sofia… deveria estar a ser torturada noutro lado qualquer, ah que não me lembro agora! Eh pah, qu’a coisa assim está muito calma! O que nós precisávamos mesmo agora era de abater uns Eucaliptos. Confesso que por milésimos de segundos, ainda pensei que, ou tinha ouvido mal ou o Senhor queria dizer outra coisa qualquer, coisas da idade, baralhou-se entre os pensamentos e as palavras. Mas ainda eu não tinha dado a última paulada no cimento do qualquer-coisa-parecida-com-um-degrau quando ouço gritar da casinha dos fundos “Oh Espanhola, ajuda-me aqui a levar a moto-serra ali para trás da cabana!”. Eu nem vou entrar em muitos pormenores mas penso que vi a nossa Senhora Mariazinha agarrada a um cabo, arrastada pelo eucalipto que não caiu na cabeça da Catripácia (eu, portanto) porque antes se enfaixou no eucalipto da frente que não era suposto cair! Isto, enquanto o Almirante desdizia as indicações que a filha Sofia, em aparente calma e serenidade, ia tentando dar para ver se ninguém morria! Uuuf!

Ainda hoje me pergunto porque é que eu, uma rapariga que dizem minimamente inteligente, continuo a aceitar passar “uns diazinhos calmos” com este homem!

Aaaaahhhhhhhh TEZINHO TU TIRAS-ME DO SÉRIO!!! É caso para dizer “’tás maluuuucaaaa oh quê?!”

Enviado por Trapicia, a Marinheira Espanhola J

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